Visor estereoscópico Stereoscope Parisien



Visor estereoscópico
Stereoscope Parisien 
H.S. Breveté S.G.D.C.
França, 1920>
CP-MC | PC421/000

Visor estereoscópico de bolso, desdobrável, em madeira e latão, com caixa original de pele, forrada a veludo e seda com a inscrição Stereoscope Parisien H.S. Breveté S.G.D.C.

A invenção, em 1838, do primeiro aparelho que permite a reconstrução artificial da ilusão de relevo deve-se ao físico inglês Charles Wheatstone (1802-1875). No mesmo ano, apresentou o seu trabalho sobre visão binocular aos membros da Royal Society em Londres, demonstrando que a perceção de uma imagem não é instantânea e sugere que o cérebro humano tem a capacidade de sintetizar um par de imagens dissimilares numa única imagem tridimensional. Para demonstrar o seu estudo criou um dispositivo, a que deu o nome Stereoscope, que permitia ao espectador observar uma série de desenhos em relevo através de dois espelhos basculantes, mobilizando ambos os olhos de forma independente. As figuras geométricas que acompanharam o dispositivo foram desenhadas como se fossem vistas uma pelo olho direito, outra pelo olho esquerdo. Os desenhos colocados face a face nas extremidades do dispositivo são refletidos em dois espelhos fixados no centro em ângulos retos. Para o observador que coloca os seus olhos no centro do dispositivo, o seu olho direito visualiza uma imagem enquanto o seu olho esquerdo visualiza outra imagem. Finalmente, o cérebro funde as duas imagens numa única imagem em relevo. 

David Brewster (1791-1868), físico escocês e inventor do caleidoscópio, acérrimo estudioso da ótica, aperfeiçoou, durante vários anos de estudo e de experiências, o estereoscópio de Wheatstone utilizando lentes prismáticas. Concebeu a ideia de cortar uma lente convexa em dois e colocar a metade esquerda em frente do olho direito e a metade direita em frente do olho esquerdo, deixando a linha de secção perpendicular ao plano dos dois olhos. Desta forma, com as duas lentes atuando como um prisma, todos os objetos vistos pelo olho direito são desviados para a esquerda, todos aqueles vistos pelo olho esquerdo são rejeitados para a direita, obtendo a sobreposição aparente das imagens, ou seja, o efeito estereoscópico. Em 1844 Brewster conseguiu provar que o efeito estereoscópico ou tridimensional pode ser conseguido mais facilmente através da refração da imagem em contraposição ao estudo de Wheatstone que se foca na reflexão da imagem. Em 1849, Brewster apresentou o seu dispositivo à Royal Scottish Society of Arts.  Este estereoscópio, muito mais manejável do que o estereoscópio de Wheatstone, uma vez que podia ser segurado com duas mãos, ou mesmo com uma, tem o aspeto de uma pequena caixa com duas meias lentes à frente das quais se colocam os olhos. Na parte de cima do objeto, uma pequena janela ilumina os desenhos ou fotografias estereoscópicas que deslizam na parte de trás da caixa.  Quando o utilizador coloca os olhos no aparelho, as lentes atuam como lentes de aumento e produzem o efeito de refração de cada imagem, facilitando assim para o cérebro a sensação de profundidade e relevo. 

O estudo da visão binocular de Wheatstone e o seu dispositivo, o nascimento e evolução técnica da fotografia e o aperfeiçoamento de Brewster abrem a curiosidade aos fabricantes de instrumentos óticos que, a partir da década de 50 do século XIX, desviam o estereoscópio da sua vocação científica, tornando-o um objeto comercial. É o início de uma enorme produção e comercialização destes aparelhos e respetivas imagens estereoscópicas. Diferentes modelos foram oferecidos para venda, alguns eram simples e baratos, enquanto outros eram mais luxuosos e feitos de materiais mais preciosos (mogno, madeira preciosa com incrustações de marfim, sistemas óticos rodeados de cobre envernizado, etc.), e eram verdadeiras peças de exposição reservadas a uma clientela mais abastada.


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