Textos & Imagens 10



Cheguei num dia de Sol. Cheguei no dia 1 de Agosto de 1988.
 
Tudo era novo para mim mas, rapidamente, senti-me em casa, seduzida pelas peculiaridades do pequeno grupo de cerca de 30 pessoas, alojados num edifício também ele peculiar.
 
Já cá estava a alguns meses quando um colega me sugeriu que lesse o catálogo “50 Anos da Cinemateca Francesa – 1936-1986”, ciente de que estavam a faltar peças ao meu puzzle…
 
Mostrou-se uma óptima sugestão que me permitiu conhecer, simultaneamente, a história da Cinemateca Francesa, da Cinemateca Portuguesa e, ainda, fazer-me despertar para a complexidade da missão das cinematecas em geral: salvaguardar, conservar e exibir a Arte do Cinema.
 
Quando decidi aceitar o desafio de escrever o presente texto, lembrei-me, de imediato, do referido catálogo e de como seria interessante relê-lo, para perceber o que retive e o que esqueci, volvidos quase 30 anos. 
 
Começo pelo que retive. Ficou-me sempre na memória o título de um dos textos iniciais deste catálogo, da autoria de Luís de Pina (à data, Director da Cinemateca): “As Cinematecas da Amizade”.
 
De facto, a amizade faz parte da génese da Cinemateca: primeiro entre Manuel Félix Ribeiro – primeiro Director da Cinemateca – e Henri Langlois fundador da Cinemateca Francesa e, uns anos mais tarde, entre H. Langlois e João Bénard da Costa.
 
Retrospectivamente, compreendo facilmente que foi sempre a Amizade o elemento distintivo desta Casa. E é por isso que, embora já não exista um vínculo formal e tanto tempo já tenha passado, lhe continuo a chamar minha…  

O que não retive foi a Entrevista com Bernard Latarjet – à data responsável executivo da Cinemateca Francesa – que ultima este catálogo. Uma entrevista muito bem construída, onde são abordados vários assuntos, enquadrados por um lapso de tempo (50 anos) que já permite reflectir sobre o passado e projectar o futuro.
 
Mas, a minha atenção acabou por recair de um modo particular sobre a questão do papel da Cinemateca Francesa – meio século após a sua fundação – e como essa acaba por ser uma questão central para as cinematecas, todas elas. Não será, então, por acaso que a Cinemateca Portuguesa programou, para o ano em que completa 70 anos, uma série de ciclos e conferências sob o título “As Cinematecas Hoje” – a não perder!
 
Indubitavelmente, acabam por ser muitos, diversos e bons os motivos para visitar – e revisitar, sempre – a Cinemateca Portuguesa; e filmes à parte, o Centro de Documentação e Informação é todo um mundo de tesouros que vale mesmo a pena conhecer.
 
Alexandra Santos Jorge
 
50 anos da Cinemateca Francesa 1936-1986 / [textos de] Luís de Pina, João Bénard da Costa, Serge Daney, Ange-Dominique Bouzet, Eric Rohmer, Michel Mardore, Richard Roud ; grafismo [de] Luís Miguel Castro. Lisboa : Cinemateca Portuguesa, 1986.
 
Tipologia documental: livro
Cota: 11

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