Histórias do Cinema: Laura Mulvey / Douglas Sirk

Em janeiro de 2015, Laura Mulvey esteve na Cinemateca a apresentar uma série Histórias do Cinema dedicada a Max Ophuls, autor cujo trabalho conhece profundamente, como sucede com Douglas Sirk, na série que a trouxe de volta em 2016. De Sirk, Mulvey escolheu apresentar e comentar uma das obras do período alemão (ZU NEUEN UFERN), um título americano dos anos quarenta (SCANDAL IN PARIS) e três das suas mais célebres obras dos anos cinquenta (ALL THAT HEAVEN ALLOWS, THE TARNISHED ANGELS, IMITATION OF LIFE).
Historiadora, ensaísta e realizadora, Laura Mulvey é atualmente professora no Birbeck College da Universidade de Londres. Tendo começado como crítica, por exemplo no Spare Rib e Seven Days, trabalhou durante muitos anos no British Film Institute. É autora de livros como Citizen Kane (1993), Fetichism and Curiosity (1996), Videodreams: Between the Cinematic and the Theatrical (2004), Death 24x a Second: Stillness and the Moving Image (2006), Visual and Other Pleasures (Language, Discourse, Society) (1989). Escrito em 1973 e publicado em 1975 na revista Screen, sob a influência das teorias de Freud e Lacan, “Visual Pleasure and Narrative Cinema” foi o ensaio que a tornou conhecida como teórica do cinema firmando o feminismo como campo de estudos na teoria do cinema. É nesta obra que surge o ensaio “Notes on Sirk and Melodrama”. Outro dos seus ensaios sobre Douglas Sirk é “Repetition and Return: Textual Analysis and Douglas Sirk in the Twenty-first Century”, publicado em Style and Meaning: studies in the detailed analysis of film (2005). Como realizadora, entre 1974 e 1982, Laura Mulvey coassinou com Peter Wollen AMAZONS, RIDDLES OF THE SPHINX, AMY!, CRYSTAL GAZING, FRIDA KAHLO AND TINA MODOTTI e THE BAD SISTER. Em 1991, realizou DISGRACED MONUMENTS olhando os monumentos da União Soviética depois da queda do comunismo. Mulvey marcou a teoria cinematográfica europeia nas últimas quatro décadas e tornou-se um dos nomes centrais de uma teoria feminista do cinema que ela própria não cessa de reavaliar e repensar. Além de se centrar em obras de autores como Max Ophuls e Douglas Sirk, abordou a representação feminina e o melodrama, assim com as mutações tecnológicas no cinema e na televisão.
Douglas Sirk (1897-1987), nascido Detlef Sierck em Hamburgo, foi um dos mais célebres emigrados germânicos em Hollywood, onde realizou alguns dos filmes mais certeiros, simultaneamente cáusticos e apaixonados, sobre a sociedade americana – nomeadamente esse título, que vamos ver no Ciclo, tornado uma espécie de emblema da produção hollywoodiana de Sirk, IMITATION OF LIFE. Começara a filmar nos anos trinta, ainda na Alemanha, em produções de estúdio correspondentes aos mais populares géneros do cinema alemão do período, como o melodrama e o musical, e dirigindo algumas das maiores vedetas do “star system” alemão da época, como Zarah Leander, a protagonista de ZU NEUEN UFERN. Nos Estados Unidos, e embora muito naturalmente tenha abordado uma variedade de géneros (fez até, ainda durante a Guerra, um filme antihitleriano, HITLER’S MADMAN, que só tem par no HANGMEN ALSO DIE de Lang), continuou a ser o melodrama o seu género preferencial e aquele lhe trouxe os seus filmes geralmente considerados mais importantes. São filmes que propõem um olhar singularíssimo sobre as contradições da sociedade americana, abordando inclusivamente temas complexos (como o racismo) numa época em que isso não era comum, pelo menos na produção hollywoodiana corrente. Mas são, sobretudo, filmes em que ressalta uma visão atenta do “teatro social”, os estatutos e os preconceitos, das classes médias americanas e do modo como eles eram vividos e “interpretados”, em especial pelas mulheres – de que foi um notável retratista: a obra de Sirk está cheia de grandes personagens femininas. Foi também um cineasta muito influente, com uma obra que, entre outros, deixou um rasto importante no trabalho de Fassbinder ou, nos nossos dias, nos filmes de Todd Haynes.


​​Histórias do Cinema: Laura Mulvey / Douglas Sirk | sessão-conferência de 4 de abril de 2016
sobre o filme ZU NEUEN UFERN

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Moderação: José Manuel Costa

ZU NEUEN UFERN
“Para Terras Distantes”
de Detlef Sierck (Douglas Sirk)
com Zarah Leander, Willy Birgel, Viktor Staal, Carola Höhn
Alemanha, 1937 – 106 min
Protagonizado por uma das mais populares vedetas do cinema alemão da época, Zarah Leander, ZU NEUEN UFERN é um dos primeiros exemplos do genial talento de Douglas Sirk (que ainda assinava Detlef Sierck, nome de baptismo). É a história de uma mulher, uma célebre atriz londrina, que assume a culpa por uma vigarice do homem que ama (um aristocrata arruinado) e é condenada a cumprir uma sentença de prisão na Austrália. Apesar deste gesto de amor, o homem nunca mais quer saber dela. Um melodrama extremo, com uma Zarah Leander sublime.


Histórias do Cinema: Laura Mulvey / Douglas Sirk | sessão-conferência de 5 de abril de 2016
sobre o filme A Scandal in Paris / Escândalo em Paris

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Moderação: Luís Miguel Oliveira

SCANDAL IN PARIS
Escândalo em Paris
de Douglas Sirk
com George Sanders, Signe Hasso, Carole Landis, Akim Tamiroff
Estados Unidos, 1946 – 100 min
Terceiro filme americano de Sirk e o primeiro do pós-guerra, A SCANDAL IN PARIS é um singular “biopic” de época, narrando a estranha vida do célebre Vidocq, que depois de um passado de criminoso se tornou Prefeito da polícia de Paris, nos tempos napoleónicos. Um filme onde, para além de Sirk, abundam os contributos de emigrados germânicos em Hollywood: o produtor Arnold Pressburger, o compositor Hanns Eisler ou o operador Eugen Schüftan.


​​Histórias do Cinema: Laura Mulvey / Douglas Sirk | sessão-conferência de 6 de abril de 2016
sobre o filme ALL THAT HEAVEN ALLOWS / O QUE O CÉU PERMITE

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Moderação: Maria João Madeira

ALL THAT HEAVEN ALLOWS
O Que O Céu Permite
de Douglas Sirk
com Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead, Conrad Nagel
Estados Unidos, 1955 – 89 min
Um dos grandes filmes de Douglas Sirk dos anos cinquenta, ALL THAT HEAVEN ALLOWS é um objeto do mais extremo artifício, mas é-o de modo consciente e assumido. Jane Wyman é uma viúva, ainda jovem, numa pequena cidade da Nova Inglaterra e Rock Hudson, um jardineiro cerca de 15 anos mais novo, torna-se seu amante. Apesar da oposição dos filhos da viúva e dos habitantes da cidade, o amor acaba por triunfar, num irónico “happy end”. O filme foi alvo de dois “remakes”: em 1973, por Fassbinder (ANGST ESSEN SEELE AUF/O MEDO COME A ALMA) e, em 2002, por Todd Haynes.


Histórias do Cinema: Laura Mulvey / Douglas Sirk | sessão-conferência de 7 de abril de 2016
sobre o filme THE TARNISHED ANGELS / O MEU MAIOR PECADO

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Moderação: José Manuel Costa

THE TARNISHED ANGELS
O Meu Maior Pecado
de Douglas Sirk
com Rock Hudson, Dorothy Malone, Robert Stack, Jack Carson, Robert Middleton
Estados Unidos, 1957 – 91 min
Realizado a preto e branco e em Cinemascope, THE TARNISHED ANGELS adapta Pylon de Faulkner. Esta história de personagens fracassadas, um antigo piloto de guerra e a sua mulher, que ganham a vida em espetáculos de aviação nas feiras, volta a reunir, numa tonalidade muito diferente, os três atores principais de WRITTEN ON THE WIND (1956). Um dos filmes mais belos e mais pessimistas de Sirk.


Histórias do Cinema: Laura Mulvey / Douglas Sirk | sessão-conferência de 8 de abril de 2016
sobre o filme IMITATION OF LIFE / IMITAÇÃO DA VIDA

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Moderação: Antonio Rodrigues

IMITATION OF LIFE
Imitação da Vida
de Douglas Sirk
com Lana Turner, John Gavin, Sandra Dee, Robert Alda, Juanita Moore, Mahalia Jackson, Susan Kohner
Estados Unidos, 1959 – 125 min
O melodrama absoluto de Douglas Sirk (seu último filme em Hollywood) é o filme de todos os espelhos: duas mulheres, uma branca e uma negra, uma que enriquece, a outra que continua pobre, e as suas duas filhas (a filha da negra passa por branca). À exceção da negra todos imitam a vida e perseguem uma falsa felicidade, simbolizada nos diamantes que caem em catadupa no genérico.


Consulte as fichas detalhadas do programa.

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