Histórias do Cinema – João Mário Grilo: Cinegeografias


Estas Histórias do Cinema trazem, pela mão de João Mário Grilo, uma proposta diferente, neste caso temática, ligada ao universo de uma mais vasta investigação do próprio – a relação entre Cinema, Paisagem e Realidade. Autor marcante do cinema português desde 1979, Grilo tem sido, nestas últimas décadas, como professor, crítico e investigador, um nome central do pensamento sobre cinema no nosso país, integrando cada vez mais esse território (e algumas áreas privilegiadas dele, como o cinema clássico ou, justamente, o cinema português) nos territórios mais largos e nas interrogações mais recentes da história de arte.

Sobre este programa escreveu João Mário Grilo: “A par com a fotografia, o cinema é, de todas as artes, aquela onde é mais empático o compromisso com a realidade do real. Ao longo da sua história, e de forma mais ou menos consciente, o cinema foi, por isso, traçando uma geografia de geografias, nesse processo ganhando, ao mesmo tempo, imaginário e território. Neste programa, serão olhadas algumas dessas geografias primordiais, paisagens incontornáveis desse ‘país-cinema’, que Serge Daney tão bem definiu, e onde se trata, afinal, da fusão sublime e quimérica entre o homem e a vertigem do mundo que, desde Lascaux, o assombra”.


Histórias do Cinema – João Mário Grilo: Cinegeografias | sessão-conferência de 24 de setembro de 2012
Sobre o filme QUE VIVA MÉXICO!


Moderador: José Manuel Costa

QUE VIVA MÉXICO!
de Sergei Eisentein
com Julio Saldivara, David Leceaga, Isabel Villaseñor, Martin Hernandez
México, 1931-33 – 87 min

Nunca concluído e apenas existente, em diversas versões, em material que não foi montado por Eisentein, QUE VIVA MÉXICO! é um caso único na História do Cinema. Iniciada em 1930 numa viagem de Eisentein ao Ocidente e na sua associação ao escritor Upton Sinclair por sugestão de Chaplin, a história da produção do filme é uma saga rocambolesca. Jay Leda e Zina Voynow chamaram-lhe “o mais grandioso plano de filme de Eisentein e a sua grande tragédia pessoal”.


Histórias do Cinema – João Mário Grilo: Cinegeografias | sessão-conferência de 25 de setembro de 2012
Sobre o filme SHE WORE A YELLOW RIBBON


Moderador: Maria João Madeira

SHE WORE A YELLOW RIBBON
Os Dominadores
de John Ford
com John Wayne, Joanne Dru, John Agar, Victor McLaglen, Ben Johnson, Harry Carey Jr.
Estados Unidos, 1949 – 103 min

Western de Monument Valley e cores fulgurantes, SHE WORE A YELLOW RIBBON é o segundo título da “trilogia da cavalaria” de Ford, que começa onde acaba FORT APACHE, ou seja, com a derrota do General Custer. Como sobre a solitária personagem de John Wayne, paira sobre o filme o espectro da memória crepuscular. “Last we forget” é a inscrição no relógio que a companhia oferece a Wayne no momento da despedida mas antes de ele se envolver numa última missão. É também um dos esplendorosos exemplos da composição ritual de Ford.


Histórias do Cinema – João Mário Grilo: Cinegeografias | sessão-conferência de 26 de setembro de 2012
Sobre o filme STROMBOLI TERRA DI DIO

Moderação: José Manuel Costa

STROMBOLI TERRA DI DIO
STROMBOLI
de Roberto Rossellini
com Ingrid Bergman, Mario Vitale
Itália, Estados Unidos, 1949 – 102 min

O primeiro filme de Rossellini com Ingrid Bergman marcou uma viragem importante no percurso do realizador e no da atriz. À época, Eric Rohmer comentou assim o filme: “STROMBOLI, grande filme cristão, é a história de uma pecadora tocada pela graça. (…) O autor de STROMBOLI bem sabe a importância que a sua arte pode dar aos objetos, ao lugar, aos elementos naturais do cenário. Dominando o poder que lhes confere, Rossellini faz deles os instrumentos da sua expressão, o molde de onde sairão os gestos e mesmo os impulsos dos atores”. Por muitas razões, uma das mais extraordinárias experiências em toda a história do cinema.


LAS HURDES
Terra sem Pão
de Luis Buñuel
Espanha, 1933 – 30 min
O FIM DO MUNDO
de João Mário Grilo
com José Viana, Carlos Daniel, Alexandra Lencastre, Zita Duarte, Henrique Viana, Adelaide João
Portugal, França, 1993 – 63 min


A sessão abre com LAS HURDES de Buñuel, espantoso e cruel documentário sobre a mais miserável e atrasada região de Espanha, com sequências famosas: o regato onde bebem e que também é esgoto, o burro morto transformado em colmeia. Segue-se O FIM DO MUNDO, filmado por João Mário Grilo para a série “Os Quatro Elementos”, em que lhe coube “A Terra”: um drama rural, igual a tantos que ocorrem no campo em conflitos de vizinhança por questões de água. José Viana, naquele que é provavelmente o seu melhor papel no cinema, é um velho camponês que num momento de desvario mata à enxadada a vizinha que o atazanava por causa da água de um riacho.


Histórias do Cinema – João Mário Grilo: Cinegeografias | sessão-conferência de 28 de setembro de 2012
Sobre o filme THE RIVER 0 Rio Sagrado

Moderação: José Manuel Costa

THE RIVER
O RIO SAGRADO
de Jean Renoir
com Adrienne Corri, Patricia Walter, Nora Swinburne, Radha Shri Ran, Esmond Knight, Thomas E. Breen
França, Índia, Estados Unidos, 1951 – 99 min

THE RIVER marca o início da fase final da carreira de Renoir. Filmado na Índia, a cores, o filme conta a história de uma família inglesa e a “ação” resume-se ao facto de nascer, morrer e amar pela primeira vez. O rio do título é ao mesmo tempo físico (o Ganges) e metafísico (a vida, o tempo). Um dos filmes mais celebrados de Renoir, imbuído de uma espiritualidade assombrosamente serena.


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