Histórias do Cinema: Hans Hurch / Ernst Lubitsch


Num mês em que a Cinemateca propôs uma revisitação à obra americana de Ernst Lubitsch numa retrospetiva integral, Hans Hurch veio a Lisboa apresentar cinco filmes de Lubitsch no contexto desta rubrica regular da programação assente na ideia de um binómio, para cinco tardes e em torno de cinco filmes, concebida como uma experiência cumulativa. Os filmes de Lubitsch escolhidos por Hans Hurch para apresentar e comentar são MADAME DUBARRY e SUMURUN, dois títulos do período alemão inicial da sua obra, e os americanos TROUBLE IN PARADISE, THE SHOP AROUND THE CORNER e CLUNY BROWN.

Hans Hurch estudou história de arte, filosofia e arqueologia em Viena, e começou a trabalhar como editor de cultura do jornal vienense Falter (1976-1986), distinguindo-se na crítica de cinema e publicando numa série de jornais internacionais. Foi durante este período que iniciou a sua atividade de programador, organizando ciclos e retrospetivas de cinema com instituições como a Viennale e a Wiener Festwochen. Entre 1986 e 2000, foi assistente de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, no teatro e no cinema, por exemplo em DER TOD DES EMPEDOKLES, SCHWARZE SÜNDE ou ANTIGONE (1987-1992). Entre 1993 e 1996, colaborou com o ministério da ciência e da cultura austríaco, encarregando-se de vários projetos, exposições e programas de cinema na Áustria relacionados com as comemorações do centenário do cinema. Foi, desde 1997 e até à sua morte em 2017, diretor da Viennale, o Festival Internacional de Cinema de Viena, uma das mais estimulantes atividades programadoras do panorama atual dos festivais de cinema.


Histórias do Cinema: Hans Hurch / Ernst Lubitsch | sessão-conferência de 20 de março de 2017
Sobre o filme MADAME DUBARRY

Moderador: José Manuel Costa

MADAME DUBARRY
Madame Dubarry
de Ernst Lubitsch
com Pola Negri, Emil Jannings, Harry Liedtke, Reinhold Schünzel
Alemanha, 1919 – 114 min

A quintessência do que se chamou “kostumfilm”, o filme de reconstituição histórica alemão dos anos vinte, que foi o maior sucesso de Lubitsch na Alemanha e logo a seguir nos EUA (no rasto da sua apresentação em Nova Iorque), e levou Hollywood a contratar o realizador. É a história da ascensão e queda de Jeanne Bécu, aprendiz de modista tornada condessa DuBarry e amante de Luís XV, guilhotinada pela Revolução. Com este filme, que fez de Pola Negri uma vedeta e firmou decisivamente o nome de Lubitsch como realizador (a colaboração de ambos no cinema começou em DIE AUGEN DER MUMIE MA, 1918), a Alemanha voltou a dar cartas no cinema mundial após o ostracismo que durou de 1918 a 1920.


Histórias do Cinema: Hans Hurch / Ernst Lubitsch | sessão-conferência de 21 de março de 2017
Sobre o filme SUMURUN

Moderação: Antonio Rodrigues

SUMURUN
Sumurum
de Ernst Lubitsch
com Pola Negri, Ernst Lubitsch, Paul Wegener, Jenny Hasselqvist
Alemanha, 1920 – 90 min

Foi com a pantomima Sumurun, encenada por Max Reinhardt, que Pola Negri e Ernst Lubitsch se conheceram em 1917. Depois de iniciarem uma dupla no cinema em DIE AUGEN DER MUMIE MA, CARMEN (1918) e MADAME DUBARRY (1919), assumiram os mesmos papeis da peça na adaptação ao cinema realizada por Lubitsch (os da dançarina e do corcunda, na última prestação de Lubitsch ator). SUMURUN é um típico  Lubitsch no uso da câmara e dos jogos de sedução, a partir de um enredo que conta as aventuras de Sumurun, dama do harém, e do seu amor pelo mercador de tapetes Nur-El-Din.


Histórias do Cinema: Hans Hurch / Ernst Lubitsch | sessão-conferência de 22 de março de 2017
Sobre o filme TROUBLE IN PARADISE

Moderação: Maria João Madeira

TROUBLE IN PARADISE
Ladrão de Alcova
de Ernst Lubitsch
com Herbert Marshall, Miriam Hopkins, Kay Francis, Edward Everett Horton
Estados Unidos, 1932 – 80 min

TROUBLE IN PARADISE, que de certo modo emparelha com DESIGN FOR LIVING, é uma das obras mais cínicas e perfeitas de Lubitsch, levando a extremos os temas centrais do seu cinema, o sexo e o dinheiro. Uma comédia sobre enganos e mistificações, sobre ladrões de luva branca e joias preciosas, ladrões de e na alcova, para quem o roubo é um estimulante erótico, o prolongamento natural do amor. Um duelo de virtuosismos na tela e atrás da câmara, com diálogos atrevidíssimos, que se tornariam impossíveis com a promulgação do famigerado Código Hays.


Histórias do Cinema: Hans Hurch / Ernst Lubitsch | sessão-conferência de 23 de março de 2017
Sobre o filme THE SHOP AROUND THE CORNER

Moderação: Maria João Madeira

THE SHOP AROUND THE CORNER
A Loja da Esquina
de Ernst Lubitsch
com Margaret Sullavan, James Stewart, Frank Morgan, Joseph Schildkraut, Felix Bressart
Estados Unidos, 1940 – 97 min

Um dos filmes mais amados de Ernst Lubitsch, embora bastante diferente das suas obras-primas dos anos trinta, em que a elegância igualava o cinismo. Por comparação, adaptado de uma peça húngara, THE SHOP AROUND THE CORNER é quase sentimental, seguindo a história de dois modestos colegas de trabalho que se veem todos os dias na loja, sem suspeitar que trocam, um com o outro, uma correspondência amorosa. Também neste registo, a mise-en-scène de Lubitsch é um prodígio de perfeição. “Se já sabíamos que Lubitsch era um fingidor, nunca o vimos fingir tão sinceramente. E por isso também chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. THE SHOP AROUND THE CORNER inventaria o poema de Pessoa se ele não tivesse sido já inventado” (João Bénard da Costa).


Histórias do Cinema: Hans Hurch / Ernst Lubitsch | sessão-conferência de 24 de março de 2017
Sobre o filme CLUNY BROWN

Moderação: José Manuel Costa

CLUNY BROWN
O Pecado de Cluny Brown
de Ernst Lubitsch
com Jennifer Jones, Charles Boyer, Richard Haydn, Peter Lawford, Una O’Connor
Estados Unidos, 1946 – 100 min

Depois de HEAVEN CAN WAIT, Lubitsch produziu também para a 20th Century Fox (a que se ligou em 1942), dois filmes de Preminger (A ROYAL SCANDAL) e Mankiewicz (DRAGONWYCK), voltando à realização com CLUNY BROWN. O seu último filme (THAT LADY IN ERMINE foi completado por Preminger) é uma obra corrosiva sobre uma jovem canalizadora que, por via da profissão, conhece um escritor polaco por quem se apaixona. Os tradutores portugueses que acrescentaram o “pecado” ao título lá teriam as suas razões. “Este é o filme de Lubitsch em que a câmara menos se move e em que o vazio ocupa mais lugar. Cineasta tão ligado ao prazer e à carne, é sintomático que tenha terminado filmando o tabu desse prazer e dessa carne, ou o grande escândalo – o pecado – da sua jamais pacífica coexistência” (João Bénard da Costa).


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