Histórias do Cinema: Bernard Eisenschitz: O Trabalho do realizador


Inaugurada em setembro de 2011, a rubrica “Histórias do Cinema” obedeceu desde então, em regra, ao formato de uma série de cinco sessões-conferência sobre um realizador, seguidas da projeção de um dos seus filmes e de um debate. Mas, no caso desta série de Bernard Eisenschitz, propusemos um novo formato, com cinco conferências e projeções centrados à volta do trabalho de cinco realizadores. Na primeira parte, cada conferência foi seguida da projeção de um filme documental sobre o trabalho específico de um realizador; na segunda parte, exibiu-se o filme que foi o objeto de estudo no documentário apresentado. A escolha de Bernard Eisenschitz incidiu sobre Jean Vigo, Robert Bresson, Ingmar Bergman, Orson Welles e Charles Laughton. Os documentários programados tiveram formatos muito diferentes, podendo ser compostos apenas por planos não utilizados na montagem original, estruturados a partir de entrevistas ou assumindo a forma de um “making of”.
 
Bernard Eisenschitz
Bernard Eisenschitz é um dos críticos e historiadores do cinema mais conhecidos da sua geração. Ativo desde os anos sessenta, ligado à Cinemateca Francesa e aos Cahiers du Cinéma, é autor, entre outros, do clássico Roman Américain: Les Vies de Nicholas Ray (1990), de Fritz Lang au Travail (2002) e de obras sobre o cinema alemão, Robert Kramer, Ernst Lubitsch e MANHUNT, de Fritz Lang. Programou no Centro Pompidou o Ciclo “Gels et Dégels”, que propôs um outro percurso pelo cinema soviético (e foi retomado na Cinemateca Portuguesa), acompanhado de um catálogo. Também participou da edição francesa das obras completas de Sergei Eisenstein e coordenou o catálogo do Festival de Locarno dedicado a Frank Tashlin. Bernard Eisenschitz inaugurou a rubrica “Histórias do Cinema”, em setembro de 2011, com cinco sessões-conferências sobre Chaplin, voltando a esta rubrica para falar de Carl Th. Dreyer (novembro de 2015) e Nicholas Ray (fevereiro de 2016).


JEAN VIGO

Histórias do Cinema: Bernard Eisenschitz: O Trabalho do realizador  | sessão-conferência de 24 de setembro de 2018
Sobre o realizador Jean Vigo

Moderação: José Manuel Costa

TOURNAGE D’HIVER
de Bernard Einsenschitz
com narração de Bernard Eisenschitz
França, 2017 – 70 min 
Bernard Eisenschitz já realizara em 2001 um estudo filmado sobre a obra-prima de Jean Vigo, LES VOYAGES DE L’ATALANTE. Em TOURNAGE D’HIVER são reunidas, como indica o genérico, “takes não utilizadas; tomadas alternativas, cujo sentido é diferente daquelas que foram montadas; e cenas ou fragmentos de cenas, não utilizadas. Os elementos são apresentados na continuidade do filme, respeitando a totalidade da sua duração e os defeitos da película, posto que se trata de material de trabalho”. Durante uma hora e dez minutos acompanhamos o nascimento de um dos filmes mais belos e originais jamais feitos.  


L’ATALANTE
O ATALANTE
de Jean Vigo
com Jean Dasté, Dita Parlo, Michel Simon
França, 1934 – 89 min 
A única longa-metragem de Jean Vigo. Um filme libérrimo, que rematou todas as buscas estéticas do cinema francês de começos da década de trinta, segundo palavras de Henri Langlois, no qual Jean Dasté, Dita Parlo e Michel Simon conquistam a eternidade cinematográfica. Doente, Vigo não pôde controlar a montagem e o filme foi massacrado pela Gaumont, intitulado LE CHALAND QUI PASSE e retirado de cartaz ao cabo de duas semanas. Um restauro feito nos anos noventa foi muito criticado, mas a versão restaurada em 2017 (em digital) permite ver novamente o filme numa versão mais fiel às intenções do cineasta.


ROBERT BRESSON

LES MODÈLES DE ROBERT BRESSON
de Babette Mangolte
com Martin Lasalle, Marika Green, Pierre Leymaria
França, 2005 – 89 min
Babette Mangolte é uma conhecida fotógrafa, realizadora e diretora de fotografia, que trabalhou nomeadamente com Chantal Akerman. LES MODÈLES DE PICKPOCKET explora o trabalho de Bresson com os atores, através de entrevistas dos três protagonistas de PICKPOCKET e mostra como as suas vidas foram transformadas pelo seu trabalho com o realizador.



PICKPOCKET

O CARTEIRISTA
de Robert Bresson
com Martin Lassalle, Marika Green, Pierre Leymarie
França, 1959 – 74 min 
PICKPOCKET, obra-prima de Robert Bresson, é o filme em que o seu estilo peculiar se afirma de modo definitivo. O seu filme mais austero e depurado, mas também o mais misterioso, feito essencialmente de gestos, os gestos do carteirista como metáfora de todos os gestos de posse e de revolta. Mas também de amor, que a personagem descobrirá ao fim de um doloroso percurso.


INGMAR BERGMAN

Histórias do Cinema: Bernard Eisenschitz: O Trabalho do realizador  | sessão-conferência de 26 de setembro de 2018
Sobre o realizador Ingmar Bergman

Moderação: José Manuel Costa

I SKÄLLSKAP MED EN CLOWN
“EM PRESENÇA DE UM PALHAÇO, O FILME DO FILME”
de Ingmar Bergman
Suécia, 1998 – 58 min 
Este filme é o “making of” de LARMAR OCH GÖR SIG TILL. Vemos em particular a meticulosidade com que Ingmar Bergman trabalha com os atores e a sua impaciência com os problemas técnicos.


LARMAR OCH GÖR SIG TILL
“NA PRESENÇA DE UM PALHAÇO”
de Ingmar Bergman
com Börje Ahlstedt, Marie Richardson, Erland Josephson
Suécia, 1997 – 120 min Depois de anunciar em 1983, com a finalização de FANNY E ALEXANDRE, que iria abandonar o cinema, Ingmar Bergman fez diversos trabalhos para a televisão, de que LARMAR OCH GÖR SIG TILL é um exemplo. Trata-se da história, ambientada nos anos vinte, de dois pacientes de um hospital psiquiátrico, que inventam a “cinematografia sonora”, em que uma pessoa escondida atrás de uma cortina debita os diálogos. A seguir, fazem uma agitada digressão. Como observou Manuel Cintra Ferreira, nesta segunda parte, o filme é um homenagem aos primitivos fabricantes de imagens, mas também trabalha a relação que este tipo de apresentação tinha com o teatro, “numa evolução semelhante à do próprio Bergman, do cinema para encenação e desta para a televisão”.


ORSON WELLES

Histórias do Cinema: Bernard Eisenschitz: O Trabalho do realizador  | sessão-conferência de 27 de setembro de 2018
Sobre o realizador Orson Welles

Moderação: José Manuel Costa

FILMING OTHELLO
de Orson Welles
com Orson Welles, Michael MacLiammoir
RFA, França, Estados Unidos, 1978 – 84 min
Como todas as rodagens de Orson Welles posteriores à de THE LADY FROM SHANGHAI, a de OTHELLO foi muito conturbada, teve diversas interrupções e estendeu-se por três anos e meio, em meia dúzia de países. Trata-se de um exemplo excecional do trabalho de um cineasta que volta ao seu próprio trabalho muitos anos depois de o ter concluído.


OTHELLO
OTELO
de Orson Welles
com Orson Welles, Micheal MacLiammoir, Suzanne Cloutier, Robert Coote
Estados Unidos, França, Itália, Marrocos, 1952 – 92 min
Adaptação da tragédia de Shakespeare num dos mais fascinantes filmes de Orson Welles, aqui na segunda das suas três incursões shakespereanas e numa prodigiosa lição de cinema. A montagem é um perfeito “jogo” de ilusões na forma como manipula o espaço e o tempo dando a impressão de continuidade, num filme cuja produção foi caótica e que foi rodado em espaços muitos diferentes. OTHELLO é um espantoso jogo de “raccords”, que torna possível a verosimilhança de campos/contracampos rodados a milhares de quilómetros de distância. O resultado é um filme que sugere mais do que dá a ver e a realização de Orson Welles “propõe um cinema de pura ilusão, como modo de condensar a verdade” (José Navarro de Andrade).


CHARLES LAUGHTON

CHARLES LAUGHTON DIRECTS THE NIGHT OF THE HUNTER
de Bob Gitt
Estados Unidos, 2002 – 159 min
Bob Gitt é um arquivista que trabalha há mais de 40 anos nos serviços de restauro da Cinemateca da UCLA, em Los Angeles. THE NIGHT OF THE HUNTER é um dos seus filmes preferidos e, neste documentário, Gitt reuniu planos não utilizados na montagem final de Charles Laughton, em que o vemos dirigir os atores. Cada um recebe orientações diferentes de Laughton e o espectador familiarizado com o filme vê como este toma forma ao longo do trabalho de preparação.


THE NIGHT OF THE HUNTER
A SOMBRA DO CAÇADOR
de Charles Laughton
com Robert Mitchum, Lillian Gish, Billy Chapin, Shelley Winters
Estados Unidos, 1955 – 93 min Esta única incursão de Charles Laughton na realização (que foi um completo fracasso comercial à época) resulta numa obra-prima incomparável, ponte de passagem obrigatória do cinema clássico ao moderno, com uma nova exploração da iluminação expressionista. Nesta onírica história infantil, o ogre é um assassino em série (a mais mítica criação de Mitchum), perseguindo duas crianças filhas de uma das suas vítimas, até se deparar com uma adversária à sua altura, a personagem de Lillian Gish. Um dos filmes mais singulares de sempre.


Consulte aqui as fichas detalhadas do programa



Scroll to Top