Câmara de filmar de 16/35mm Cameflex 16-35 Standard CM 3



Câmara de filmar de 16/35mm
Cameflex 16-35 Standard CM 3
Éclair  
Paris (França), 1946>
CP-MC | GF714/000

Câmara de filmar de 16/35mm portátil (perfurações Edison), preparada para o formato 16mm; sistema de tração intermitente por duas garras (tração contínua no interior do magasin); obturador de abertura variável (40º-200º); torre com 3 objetivas: 1 objetiva Apochromat Kinoptik (Paris) f/2 de 40mm, nº32410, 1 objetiva Angenieux (Paris) S3 f/1.8 de 75mm, nº402920 e 1 objetiva Apochromat Kinoptik (Paris) f/1.8 de 18mm, nº61462; visor reflex; 1 magasin externo de 120m; porta-filtros; contador de metragem da película remanescente; pára-sol extensível; 1 motor intermutável Kinotechnique de 8V (nº fabrico 1599).

A “Société française des films Éclair” foi fundada em 1907 por Marcel Vandal e Charles Jourjon. A produtora francesa notabilizou-se pelas suas comédias, mas também pelos dramas e adaptações literárias realizados por Victorin Jasset, Maurice Tourneur e Émile Chautard. A produção de câmaras de filmar Éclair iniciou-se em 1912 e prolongou-se até aos anos sessenta, primeiro sob a direção de Charles Jourjon e, mais tarde, do seu genro Jacques Mathot. A partir de 1920, Mathot e André Coutant criaram a série Caméraclair, famosa pelas torres de seis objetivas, que chegou mesmo a destronar as câmaras Pathé no mercado francês. Em 1932, a Éclair fabrica os seus primeiros modelos para o cinema sonoro e, no final da Segunda Guerra Mundial, lança uma nova geração de câmaras portáteis: as Cameflex de 35mm, de que existiria também um modelo de 16mm. Parte do sistema de tração da Cameflex estava integrado no próprio magasin, como era já o caso das câmaras Akeley e Arriflex. As principais vantagens desta câmara em relação à Arriflex consistiam num desenho que permitia que a mesma fosse confortavelmente usada ao ombro e ainda na possibilidade de trocar de magasin em segundos e sem desligar o motor. Tal como a Arriflex, a Cameflex foi usada durante décadas e foi uma das câmaras de eleição dos cineastas franceses (e portugueses) dos anos sessenta e setenta. Em Portugal, Paulo Rocha usou uma Cameflex em OS VERDES ANOS (1963), e Fernando Matos Silva ainda o faria dez anos mais tarde no filme O MAL-AMADO (1973).

Este exemplar pertenceu à produtora portuguesa Cinédia, fundada por Jorge Galveia Rodrigues e especializada em trabalhos de publicidade. Mudou de produtora mas não de proprietário em 1964, ano em que a Telecine, outra produtora de Galveia Rodrigues, comprou os estúdios Moro e passou a sociedade anónima com a designação Telecine-Moro. Para além de filmes publicitários, esta produtora executou ainda o jornal de atualidades RIVUS PATHÉ MAGAZINE (1970-1975), documentários, desenhos animados e telefilmes. No entanto, a sua produção mais famosa talvez tenha sido o programa televisivo VAMOS JOGAR NO TOTOBOLA. Esta Cameflex foi uma das cinco câmaras de filmar de 35mm utilizadas pela Telecine-Moro ao longo da sua existência.


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