Histórias do Cinema: Bernard Eisenschitz / Nicholas Ray


Bernard Eisenschitz regressou à Cinemateca em fevereiro de 2016 para comentar a obra de Nicholas Ray na terceira das suas participações nas “Histórias do Cinema”, que inaugurou como rubrica de programação em 2011, e à qual voltou em 2015 para a apresentação das obras de Chaplin e de Dreyer. A sua escolha para as cinco sessões-conferência incidiu sobre a primeira e a última longa-metragem de Nick Ray, de finais das décadas de quarenta e setenta (THEY LIVE BY NIGHT e WE CAN’T GO HOME AGAIN), e em três das suas obras fundamentais da década de cinquenta (ON DANGEROUS GROUND, BITTER VICTORY, WIND ACROSS THE EVERGLADES).
Eisenschitz é um dos maiores historiadores contemporâneos de cinema, mas também crítico, programador e tradutor. Colaborador de diversas revistas, fundador e editor de Cinéma, em 2001, é autor de vários livros e coordenador de diversos catálogos (sobre Ernst Lubitsch, Frank Tashlin, Chris Marker, Humphrey Bogart, o cinema alemão, o cinema soviético ou MAN HUNT de Fritz Lang”), tendo assinado obras de referência sobre Nicholas Ray (“Roman américain, les vies de Nicholas Ray”, de 1990, de que a Cinemateca publicou capítulos então inéditos e em trabalho no catálogo Nicholas Ray de 1985) e Fritz Lang (“Fritz Lang au travail”, 2012). Em 2014, publicou uma nova edição dos escritos de Henri Langlois. Trabalhou ainda, em 2001, num novo restauro de L’ATALANTE de Jean Vigo, e tem participado como ator em diversos filmes, com pequenos papeis ou figurações sob a direção de Luc Moullet, Otar Iosseliani e Pierre Léon, entre os créditos mais recentes. Realizou a curta-metragem PRINTEMPS 58 (1974) e títulos documentais sobre o restauro de L’ATALANTE (LES VOYAGES DE L’ATALANTE, 2001) ou Chaplin (CHAPLIN TODAY: MONSIEUR VERDOUX, que acompanhou a edição DVD de filmes de Chaplin em 2003).
Nicholas Ray é simultaneamente um dos grandes nomes do cinema clássico de Hollywood e um dos seus maiores rebeldes. Polémico, capaz de despertar paixões fervorosas, durante largo tempo não reconhecido como um dos grandes cineastas americanos, foi à entrada da década de cinquenta e no decorrer dela que filmou a maioria da sua obra, no contexto do sistema dos estúdios e com as suas grandes estrelas mas também, por norma, voltando do avesso as suas convenções, e ainda olhando de intensamente perto a juventude, as personagens feridas, insubmissas, inadaptadas, a intimidade das emoções humanas. Foram dezassete a solo, entre THEY LIVE BY NIGHT (1949) e PARTY GIRL (1958) na fértil e regular cadência que deu origem a obras hoje tão indiscutíveis como IN A LONELY PLACE, ON DANGEROUS GROUND, BIGGER THAN LIFE ou BITTER VICTORY, JOHNNY GUITAR e REBEL WITHOUT A CAUSE, os seus dois mais célebres títulos. Nas duas décadas seguintes, em que se lhe colou a fama de “cineasta maldito”, somando “fracassos” desde BITTER VICTORY, assinou quatro longas-metragens (fora LIGHTNING OVER WATER, de créditos partilhados com Wim Wenders), das quais a última a estrear comercialmente foi FIFTY-FIVE DAYS AT PEKING (1963). WE CAN’T GO HOME AGAIN, o projeto radicalmente independente que foi a sua última grande odisseia pessoal, tornou-se também um título de culto.


Histórias do Cinema: Bernard Eisenschitz / Nicholas Ray | sessão-conferência de 15 de fevereiro de 2016
sobre o filme THEY LIVE BY NIGHT

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Moderação: José Manuel Costa e Maria João Madeira

THEY LIVE BY NIGHT
OS FILHOS DA NOITE
de Nicholas Ray
com Farley Granger, Cathy O’Donnell, Howard da Silva, Jay C. Flippen
Estados Unidos, 1949 – 95 min
O primeiro filme de Nicholas Ray é adaptado do romance Thieves Like Us, vagamente inspirado na história de Bonnie e Clyde. THEY LIVE BY NIGHT conta o destino trágico de um jovem revoltado que encontra no amor uma forma de redenção que o mundo, porém, lhe não permite. Uma legenda inicial avisa: “This boy and this girl were never properly introduced to the world we live in.”


Histórias do Cinema: Bernard Eisenschitz / Nicholas Ray | sessão-conferência de 16 de fevereiro de 2016
sobre o filme ON DANGEROUS GROUND

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Moderação: Maria João Madeira

ON DANGEROUS GROUND
CEGA PAIXÃO
de Nicholas Ray
com Robert Ryan, Ida Lupino, Ward Bond
Estados Unidos, 1952 – 82 min
Um dos filmes mais perturbantes de Nicholas Ray, cujo centro é o encontro entre um polícia violento e uma jovem cega, que vive numa casa isolada, casulo protetor para ela e o seu irmão adolescente, que será objeto de uma brutal caça ao homem. Mas, como já por várias vezes foi dito, ON DANGEROUS GROUND é antes de mais um filme sobre o conflito entre o ver, o não ver, e o acreditar.


Histórias do Cinema: Bernard Eisenschitz / Nicholas Ray | sessão-conferência de 17 de fevereiro de 2016
sobre o filme BITTER VICTORY

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Moderação: Maria João Madeira

BITTER VICTORY
CRUEL VITÓRIA
de Nicholas Ray
com Richard Burton, Curd Jurgens, Ruth Roman, Raymond Péllegrin
Estados Unidos, França, 1957 – 102 min
É uma das obras mais admiradas de Nicholas Ray, apesar de ter sido manipulada pelos produtores, à revelia do realizador. Richard Burton tem um dos melhores papéis da sua carreira na figura de um oficial que salva uma missão prejudicada pela cobardia do superior (Curd Jurgens) obcecado pela relação que o subalterno tivera com a sua mulher. A juntar a Burton e a Jurgens, o deserto, filmado em scope, ganha o estatuto de protagonista ao acolher a inesquecível e belíssima sequência final. O filme que fez Godard dizer na célebre crítica nos Cahiers: “E o cinema é Nicholas Ray.”


Histórias do Cinema Bernard Eisenschitz / Nicholas Ray | sessão-conferência de 18 de fevereiro de 2016
sobre o filme WIND ACROSS THE EVERGLADES / A FLORESTA INTERDITA

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Moderação: Maria João Madeira

WIND ACROSS THE EVERGLADES
A FLORESTA INTERDITA
de Nicholas Ray
com Christopher Plummer, Burl Ives, Gypsy Rose Lee, Chana Eden, Peter Falk
Estados Unidos, 1958 – 93 min
Penúltimo filme de Nicholas Ray em Hollywood, antes da aventura das “produções expatriadas” na Europa, que dariam cabo da sua carreira, WIND ACROSS THE EVERGLADES também é um filme ecologista “avant la lettre”. A ação passa-se nos começos do século XX e mostra a luta de um professor contra os caçadores furtivos que dizimavam certas espécies de aves, cujas penas eram usadas em chapéus de luxo. Fabulosa utilização dos cenários naturais dos pântanos e cursos de água.


Histórias do Cinema Bernard Eisenschitz / Nicholas Ray |sessão-conferência de 19 de fevereiro de 2016
sobre o filme WE CAN’T GO HOME AGAIN

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Aviso: o ficheiro apresenta título e data da sessão-conferência errados (onde está WIND ACROSS THE EVERGLADES, 18-02-2016, deveria estar WE CAN’T GO HOME AGAIN, 19-02-2016)

Moderação: Luís Miguel Oliveira

WE CAN’T GO HOME AGAIN
de Nicholas Ray
com Nicholas Ray, Leslie Levinson, Denny Fischer, Tom Farrell, Jane Weymann
Estados Unidos, 1971-1980 – 90 min
Último projeto de Nicholas Ray, feito no difícil período final da sua vida, com os seus estudantes do Harpur College, em Nova Iorque, revelado numa primeira versão no Festival de Cannes em 1973, apesar de Ray nunca o ter dado como concluído. Filmado em 35, 16, super 8, 8 mm e em vídeo, utilizando a técnica do “split-screen”, o incompleto WE CAN’T GO HOME AGAIN (expressão que significa “não se pode voltar ao passado”) é o requiem da obra de Nicholas Ray. A apresentar em cópia digital, na versão do restauro de 2011 da Nicholas Ray Foundation sob a supervisão de Susan Ray, que se baseia na imagem da primeira versão do filme apresentada em 1973 à qual se acrescentou a narrativa registada posteriormente por Nick, procurando devolver ao som de WE CAN’T GO HOME AGAIN todo o seu esplendor.


Consulte as fichas detalhadas do programa.

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