Frei Bonifácio | Barbanegra de Georges Pallu


Disponível até 8 de março de 2021

FREI BONIFÁCIO
de Georges Pallu
com Duarte Silva, Maria das Neves, José Silva, António Vale
Portugal, 1918 – 19 min
Mudo, com intertítulos em português | M/12

Acompanhamento musical composto e interpretado ao piano por Filipe Raposo.

“Visto de hoje, oitenta e cinco anos depois, como parece? Com um fio narrativo extremamente simples e em que se descortina, nas cenas do convento, o pendor anti-clerical de Júlio Dantas, o filme alicerça-se na construção picaresca do personagem principal, com Duarte Silva a fazer jus à sua fama revisteira.
Basicamente, o filme é uma sucessão de quadros, em que é visível a formação de Pallu nos “Film d’Art”. Mas o realizador não deixou de experimentar ou ensinar processos que se viram pela primeira vez em filmes portugueses. E o caso da montagem paralela (as breves sequências da espera da mulher de Bonifácio, enquanto o marido é vitima da partida dos frades do convento) de um ou outro enquadramento mais caprichoso (um “plongée” relativamente gratuito no claustro, subjectivando o plano no olhar de um dos frades que viramos na galeria, sublinhado, aliás, por um dos raros movimentos da câmara) ou do frequente recurso aos grandes planos. E se os de Bonifácio servem para as facécias de Duarte Silva, há alguns dos frades que não estão isentos de perversidade.”

João Bénard da Costa

O acompanhamento musical foi composto e interpretado ao piano por Filipe Raposo. A gravação e mistura tiveram lugar em janeiro de 2020, nos Atlântico Blue Studios, sob a direção de André Tavares.

Consulte a FOLHA DA CINEMATECA aqui.


Disponível até 8 de março de 2021

BARBANEGRA
de Georges Pallu
com Maria Campos, Teodoro Santos, Maria de Oliveira, Duarte Silva
Portugal, 1920 – 56 min
Mudo, com intertítulos em português | M/12

Acompanhamento musical composto e interpretado ao piano por Filipe Raposo.

“Se Amor Fatal era um dramalhão, Barbanegra baptizado de “tragi-comédia cinematográfica” nada tem de trágico e oscila entre a comédia (a história da gorda D. Rita e as suas aspirações a um título) e o filme de polícias e ladrões. Maria Campos, – actriz de revista, faz de D. Rita e, como boa revisteira, consegue ser bem divertida e, no final, bem “filosófica”. Teodoro Santos, um actor de teatro então muito conhecido, teve a sua única criação cinematográfica como “Marquês”. E a excelente Maria Oliveira (A Rosa do Adro) volta a marcar pontos na clarividente Clara. E, claro, não podia faltar Duarte Silva, agora como taberneiro, no episódio mais “metido a martelo” deste filme.
Pallu — novamente realizador, como de todos os outros o fora — não está no seu elemento numa “história” que, evidentemente, pouco tem a ver com o seu estilo. E tudo o que rodeia as cenas da taberna parece gratuito ou só ter como justificação o castigo final para o Barbanegra que D. Rita, por razões bem compreensíveis, resolveu não lhe dar.
Mas, embora não tenha bases para o afirmar, julgo que não me engano se creditar a Pallu a melhor ideia do filme: o passeio do leão pela casa e pelo quarto de D. Rita. Dei comigo a pensar no seguinte: imaginem que todo o resto do filme tinha desaparecido e só restava essa sequência. Não figuraria ela com lugar obrigatório, em qualquer antologia do insólito no cinema, senão mesmo do surreal no cinema? Objectar-me-ão que Pallu não explorou todas as possibilidades da cena. Precisamente por isso. É tão insólito o cruzamento daquele leão ultra-domado (ou, plausivelmente e para a cena, ultra-drunfado) com a gordíssima e sonolenta D. Rita que a carga onírica ainda é mais acentuada e ainda melhor funciona.”

João Bénard da Costa

O acompanhamento musical foi composto e interpretado ao piano por Filipe Raposo.
A gravação e mistura tiveram lugar em janeiro de 2020, nos Atlântico Blue Studios, sob a direção de André Tavares.

Consulte a FOLHA DA CINEMATECA aqui.


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